Manuel Tanger 🇪🇺/acc retweeted
Portugal constrói hoje uma pequena parte do que construía no início do século. Segundo o INE, concluíram-se 28 494 fogos em 2024, mais 6,8% do que no ano anterior, mas ainda muito abaixo dos máximos de 2002. Como a procura cresce mais depressa do que a oferta, os preços sobem: em 2024, o preço mediano de venda aumentou 10,3% e chegou aos 1777 euros por metro quadrado. Desde aí, a subida continuou.
A primeira razão prende-se com o facto de o crédito se ter tornado mais caro e mais difícil. Desde 2014, com a supervisão direta do Banco Central Europeu, os bancos passaram a tratar o crédito à promoção imobiliária como uma atividade de alto risco. As exigências de capital mais pesadas e a memória das perdas da crise levaram os bancos a pedir mais capitais próprios, níveis elevados de pré-venda e juros mais altos. Por isso, muitos projetos de média dimensão deixaram de ser viáveis.
A lentidão dos processos tem um custo. Um licenciamento pode demorar dois, três ou mais anos. Durante esse tempo, o terreno fica parado e os juros acumulam-se. A incerteza sobre prazos e decisões também tem um custo: investidores e bancos exigem prémios de risco mais altos, e esse custo acaba no preço final das casas.
Por outro lado, o solo é escasso e caro. Os planos diretores rígidos, os limites de densidade e a falta de solo urbanizável nas zonas de maior procura encarecem os terrenos. O problema é maior precisamente onde mais falta habitação.
A tecnologia não é a bala de prata, mas pode ajudar. Na construção industrializada e modular, os componentes são produzidos em fábrica, com menos desperdício, e os prazos de obra podem descer até cerca de metade. Com obras mais curtas, o risco diminui e o crédito fica mais acessível. Este modelo ajuda também a compensar a falta de mão de obra.
O licenciamento também pode ser mais rápido com uma plataforma digital única, projetos em BIM (modelos digitais dos edifícios) e verificação automática das regras. A inteligência artificial pode analisar projetos e detetar falhas de conformidade, deixando aos técnicos as decisões que exigem julgamento humano. Com prazos públicos e acompanhamento em tempo real, o processo ficaria mais previsível e os prémios de risco baixariam.
A tecnologia não substitui reformas no crédito, no uso do solo e na administração pública. Mas pode ajudar a desbloquear um sistema que, há quinze anos, constrói menos do que o país precisa.
Manuel Tanger 🇪🇺/acc retweeted
👇👇👇
Promotores. Aproveitadores. Responsáveis. Sabes distinguir?
Oito anos de governação socialista, seis com o apoio do BE e do PCP. Na Habitação, Pedro Nuno Santos não foi espectador: foi ministro.
A memória não pode ser curta. #Habitação
At this day and age of real time data and computerized systems, there is no justification for the amount of accidents in Spain involving train collisions!
These deaths are totally avoidable! Shocking.
Breaking News: Two high-speed passenger trains collided in Spain, killing at least 10 people, local officials said. nyti.ms/4jK0A4D
Manuel Tanger 🇪🇺/acc retweeted
This morning we are releasing the largest proof in the history of mathematics: A formalization of the Classification of Finite Simple Groups (CFSG)! Over 43 million lines of Lean, 715 papers and books, and 100 substantive fixes to the literature, this is truly an enormous theorem. Well done team!
Manuel Tanger 🇪🇺/acc retweeted
Comrade Lula is a manager of the highest order.
He understands that the means of production cannot be left in private hands. They must be directed toward the needs of the collective.
Hoarding wealth is a crime. Redistribution is mandatory. Social programs are expanded. The builders are managed.
This is correct administration of the class struggle.
The plan continues. ☭ 🇧🇷🇺🇸
>be Lula
>get convicted of corruption
>get sentenced to 12 years
>get released by the STF on procedural errors
>never actually acquitted lmao
>beat Jair Bolsonaro in 2022
>Jair gets thrown into jail over an alleged coup attempt
>Congress votes to cut his sentence
>Lula vetoes it
>four years later, face his son
>during a debate, threaten to also lock him up if he loses the election
>election day
>former private lawyer, now STF judge, extends voting by 2 hours nationwide
>request came from Lula's own coalition
>win by 4 million votes in a runoff with no paper trail
>next day, Moraes orders the losing candidate to surrender his passports
>victory speech: "we're going to regulate social media"
>"democracy" lmao
>RIP Brazil
Manuel Tanger 🇪🇺/acc retweeted
Announcing three major scientific discoveries, one each in mathematics (harmonic analysis), computer science (complexity theory), and physics (quantum field theory).
AI starting to help us improve our understanding of the universe! openai.com/index/building-sc…
No Brasil a parada é mesmo alta!
Quem ganha, chega ao poder. Quem perde, vai preso!
E por vezes, quem ganha também vai preso!
Três deputados brasileiros pediram ao Supremo Tribunal Federal a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula da Silva nas eleições presidenciais de domingo, por recearem que o senador abandone o país para escapar à justiça. O filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro é alvo de duas investigações por suspeitas de crimes financeiros, mas ainda não foi condenado em nenhum dos processos.
cnnportugal.iol.pt/flavio-bo…
Manuel Tanger 🇪🇺/acc retweeted
Três deputados brasileiros pediram ao Supremo Tribunal Federal a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro, derrotado por Lula da Silva nas eleições presidenciais de domingo, por recearem que o senador abandone o país para escapar à justiça. O filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro é alvo de duas investigações por suspeitas de crimes financeiros, mas ainda não foi condenado em nenhum dos processos.
cnnportugal.iol.pt/flavio-bo…
Biology and Life Sciences are about to go through a quantum leap of accomplishments! To all our benefit!
🧬 AI Biology — Big Tech Weekly | Oct 19–25
Five tech giants, five fronts in AI biology:
🔬 Google — Autonomous wet labs: research.google/blog/groundi…
🧠 OpenAI — Thousands of agents analyze millions of brain cells: openai.com/index/scaling-ai-…
💊 OpenAI — Acquires Orchestra Bio: openai.com/index/openai-to-a…
🧬 Microsoft — BioEmu-2: huggingface.co/microsoft/bio…
🧪 Anthropic — Life sciences research collaboration: anthropic.com/news/open-call…
🧫 NVIDIA — RFD4-Proteina & BioNeMo: nvidianews.nvidia.com/news/h…
The competition is moving beyond models toward biological reasoning, experimental feedback, protein design, and drug development workflows.
BioTender | Bridging AI and Biology
#AIBiology #AIforScience #DrugDiscovery
This protest is protesting the previous protest.
🇫🇷 France's protests are turning into something MUCH BIGGER than a weekend of unrest.
Huge crowds are flooding the streets over soaring living costs and concerns about democracy.
In Paris alone, police counted 110,000 demonstrators.
And the movement isn't winding down.
Protest organizers are already building toward a nationwide GENERAL STRIKE on November 5.
What started as street protests is becoming a sustained challenge to the French government.
Writer: Oliver
The human learning curve is still there. Even if AI spits out a perfect solution, the one deploying it needs time to absorb and understand it.
That or just hand over control. But we are not there yet.
⚡️AI is liquidating the time value of human expertise.
A professional career used to be an intertemporal contract. You sacrificed years learning something difficult because time created scarcity. Ten years of accumulated judgment could not be downloaded overnight.
AI is collapsing that delay.
When five days of elite reverse engineering becomes twenty minutes of machine cognition, the machine has done more than automate a task. It has destroyed the waiting period that made mastery scarce.
The old equation was:
time → experience → scarcity → bargaining power
Now that chain is breaking.
The expert does not suddenly know less.
The world suddenly needs fewer experts.
That is the rupture.
And once this spreads across professions, the ladder itself starts to hollow out. Fewer juniors are needed to become future experts. Fewer mids are needed to support seniors. Eventually, the senior becomes a supervisor of machine cognition rather than the primary source of it.
Then the machine begins absorbing the supervisory layer too.
Civilization trained people to delay gratification in exchange for future scarcity.
Study longer.
Specialize harder.
Accumulate knowledge.
Become difficult to replace.
AI is beginning to invalidate the final promise in that sequence.
That is why the “learn plumbing” joke lands.
He just watched the market price of a decade of cognitive accumulation collapse in front of him.
AI is turning human expertise from durable capital into depreciating inventory.
“Humanity never moved forward thanks to people who wanted nobody to stand out. It moved forward thanks to those who dared to outrun everyone.”
If we want the world to get better, we'll have to accept one thing: some people really are exceptional, and they really do create value.
I've explained how the system works. Now I'm going to tell you why Elon Musk is under attack.
It isn't because of his tweets or his positions. It runs deeper than that. Elon Musk is under attack because he exists.
In a world built on egalitarianism, the exceptional individual is an anomaly. Worse, he's a threat. Left free, he creates gaps: he produces more value, he moves faster, he climbs higher. Every gap he creates proves that the egalitarian project rests on a lie, the lie that we're all interchangeable.
Kurt Vonnegut saw it back in 1961 in a chilling short story, Harrison Bergeron. In an America made perfectly equal, the strong are weighed down, the beautiful are masked, and the most intelligent have their thoughts scrambled by piercing noises so that nobody rises above anybody. That isn't some distant dystopia. It's the ultimate logic of this system. If equality of outcome is the goal, then excellence is the enemy.
Here's a truth almost nobody dares to say: humanity moves forward through geniuses.
Look across the centuries. Aristotle founds logic. Gutenberg prints and sets knowledge free. Copernicus and Galileo move the Earth. Descartes and Pascal give reason its method. Newton writes the laws of the universe. Pasteur defeats microbes. Darwin explains life. Turing invents computing. Every time, one mind, a single one, tips history over.
In 1905, special relativity was in the air, and others were getting close. But general relativity, without Einstein, we might still be waiting for. And the digital revolution as we lived it, from the personal computer to a phone in every pocket, wouldn't look the way it does without Steve Jobs.
We almost always admire these geniuses once they're dead. Galileo had to recant on his knees. Semmelweis, who understood that washing hands was enough to save mothers, died in an asylum, mocked by his peers. Turing, who helped win the war, was convicted and then chemically castrated. Van Gogh sold almost nothing in his lifetime.
And then there's Nikola Tesla. The man who invented the electric world we still live in: the alternating current that powers our homes, the induction motor, the foundations of wireless transmission. He dreamed of sending energy freely across the planet. When J.P. Morgan stopped funding him, his Wardenclyffe tower was abandoned, then demolished. He ended his life alone, buried in debt, in a New York hotel room, feeding pigeons. He was found dead in January 1943, at 86. The man who electrified the world died with almost nothing.
The irony of history: his name is now written on millions of cars, the cars of the company Elon Musk took to the top. As if history wanted to pay its debt.
The system has always hated those who surpassed it, and it only celebrates them once they can no longer bother it.
It's hard to accept, but it's reality. It doesn't mean geniuses have more rights than anyone else. Before the law, before justice, and in their dignity, all people are equal, and they must stay that way. It means that some individuals, through their talent, their courage, and their risk-taking, create a thousand times, a million times, a billion times more value than ordinary people. And they don't keep that value for themselves. All of humanity benefits from it.
Elon Musk is one of those men.
He revived space exploration when governments had turned away from it. He forced the entire auto industry into a new century. With Starlink, he brought the internet to the most isolated corners of the planet. Every time, he was told it was impossible. Every time, he risked everything, and every time, he won.
He is the first person in history to cross a trillion dollars. People want him to apologize for it. I say the opposite: he deserves it, and he deserves much more. The value he's creating for humanity, with reusable rockets, the electrification of the world, and the road to Mars, is beyond any comparison with what he owns.
His fortune wasn't taken from anyone. It was created where there was nothing.
That's exactly what the system can't forgive him for.
In their worldview, nobody should be above anybody. Success is suspect, wealth is theft, excellence is an injustice to be corrected. Elon Musk is living, dazzling, unbearable proof that their model is wrong: a free man with talent and courage can create more value than all their administrations combined. As long as he exists, their story doesn't hold. So he has to be destroyed. The lawsuits, the investigations, the press campaigns, and the regulatory threats all come from there.
But here's what makes me deeply optimistic.
The system is cracking. It bet that people would end up preferring equality in mediocrity to freedom in excellence, and it lost. People saw the rockets come back and land. They saw what a single man could accomplish when nobody stopped him from acting. And they understood they had been lied to.
What's coming is a new world, built on real meritocracy. Not a world where the same people inherit the same seats, but a world where everyone gets to play. The child of a factory worker, a farmer, or an immigrant can get in the game, and if he's good, he rises fast. Very fast. As high as his talent takes him.
The equality worth defending is equality of opportunity, not equality of outcome. The first sets geniuses free. The second smothers them.
We think it's normal for a soccer player to earn a fortune because he's exceptional with a ball. We think it's suspicious for an engineer to get rich by bringing rockets back from space. The world will be better the day kids have Elon Musk posters on their bedroom walls, the way they have posters of Messi and Ronaldo.
Humanity never moved forward thanks to people who wanted nobody to stand out. It moved forward thanks to those who dared to outrun everyone.
Elon Musk is one of them. And this time, history won't wait until he's dead to recognize it.
Manuel Tanger 🇪🇺/acc retweeted
Música 6: Metade do que amasso
Amasso mais um pão. Peço metade. Dão-me quarenta.
A conta que importa é a do euro a mais: a hora extra, o aumento, a promoção. É aí que cada um decide se vale a pena trabalhar mais. E é aí que o Estado fica com a fatia maior. Um aumento de 100 euros brutos por mês a quem ganha 2.000 custa à empresa 124 euros e deixa ao trabalhador 58. A conta do salário mínimo é da Business Roundtable Portugal. As duas contas são da Business Roundtable Portugal. A partir de uns 3.700 euros brutos por mês, de cada 100 euros que a empresa paga a mais, o trabalhador fica com 40. O resto vai em contribuições e IRS, antes ainda do IVA sobre o que comprar com o que sobra.
A proposta do livro tem nome: o direito a ficar com metade. Em cada euro a mais que alguém ganha a trabalhar, o Estado não deve ficar com mais do que deixa. E o recibo inteiro, com o custo total à cabeça, obrigatório para todos. Vinte e nove grandes empresas já o dão a 90 mil trabalhadores. Quem vê a conta discute-a. Quem não a vê, paga-a.
O filme: um videoclipe de rap dos anos 90, com lente olho de peixe, numa padaria de Lisboa às quatro da manhã. O padeiro tende mais um pão. Umas mãos de luva branca fatiam-no e levam seis fatias em dez.
A Última Janela. À venda a 10 de novembro.
What if Alvalade were rebuilt, without changing its height?
Four ideas, all real somewhere else: ~190 fins, light from inside, a white roof, a standing Curva Sul.
What changes would you make? ⤵️
Just a concept. We’re not architects or engineers.
#SportingCP
Manuel Tanger 🇪🇺/acc retweeted
A acampada dos idiotas úteis
Os jovens têm razões de sobra para protestar. Acamparam na praça errada.
A acampada chegou a Lisboa vinda de Espanha. Nasceu em Madrid, na Puerta del Sol, a 26 de setembro, depois do despejo de uma senhora de 87 anos, e espalhou-se por umas vinte cidades de Espanha. Barcelona tem hoje mais de seiscentas tendas na Praça da Catalunha. O Porto montou as suas na Praça D. João I a 10 de outubro. Lisboa seguiu-lhe o exemplo no Rossio a 17, logo a seguir à marcha da CGTP, com o lema "Não dá mais? Então monta a tua tenda!". Uma das porta-vozes explicou que o protesto ecoa o que se passa lá fora, "principalmente em Espanha". As assembleias fazem videochamadas com Madrid e já se associaram à greve geral espanhola de 11 de novembro.
Os números são modestos. No Porto, a 19 de outubro, 35 pessoas votaram continuar a dormir na praça. No Rossio havia cerca de cem tendas quando a polícia as levantou, na madrugada de 20, com 55 detidos. A intervenção policial deu ao movimento o que as tendas não davam: nessa noite, milhares encheram o Rossio e Ana Moura cantou a "Pedra Filosofal". Dizem que ninguém os organizou. Têm porta-vozes, equipa de comunicação, equipa de resposta, cantinas solidárias e, por trás, a plataforma Não Dá Mais, que junta cerca de quarenta coletivos e convoca manifestações por todo o país. A espontaneidade dá muito trabalho.
Têm todo o direito de estar ali. A Constituição garante-lhes a reunião e a manifestação, e a Inspeção-Geral da Administração Interna faz bem em investigar a carga do Porto. Não discuto a tenda. Discuto o caderno de reivindicações.
A raiva tem fundamento. Os preços das casas mais do que duplicaram desde 2017, diz o Banco de Portugal. No primeiro trimestre deste ano subiram 17,8% em termos homólogos, a maior subida da União Europeia nas contas do Eurostat. Entre 2021 e 2025, a população residente cresceu 825 mil pessoas. Em 2025 concluíram-se cerca de 27 mil casas novas. Numa década, estima o banco central, ficaram por construir cerca de 300 mil fogos. Os jovens não inventaram o problema. Enganaram-se no culpado.
O cartaz do Rossio pede seis coisas: revogar a nova lei do arrendamento, acabar com despejos e demolições sem alternativa, travar a compra de casas por fundos, mais habitação pública, recuperar os devolutos e tetos às rendas "verdadeiramente acessíveis". Pelo caminho juntaram-se o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, um imposto sobre os lucros dos bancos e o congelamento das propinas. Nenhuma destas medidas constrói uma casa. Várias destroem as que existem.
Comecemos pelos tetos. Portugal fez essa experiência durante mais de meio século. As rendas de Lisboa e do Porto ficaram presas em 1948, o 25 de Abril estendeu o congelamento ao país inteiro em 1974, e muitos contratos anteriores a 1990 continuam congelados até hoje. O resultado vê-se num passeio a pé na Baixa: prédios que o senhorio deixou cair porque a renda não pagava o telhado. Muitos dos devolutos que a acampada quer recuperar nasceram dos tetos que a acampada pede.
A Catalunha repetiu a experiência em março de 2024, com tetos nas zonas que a lei chama "tensionadas". Dois anos depois, assinavam-se menos 20% de contratos de arrendamento e as casas alugadas eram mais pequenas. Barcelona tem teto às rendas e seiscentas tendas na praça. Em São Francisco, Rebecca Diamond, Tim McQuade e Franklin Qian mediram o efeito de alargar o controlo das rendas: os senhorios abrangidos reduziram em 15% a oferta para arrendar, e as rendas da cidade subiram 5,1%. O teto protege quem já tem casa. Fecha a porta a quem chega, e quem chega é quase sempre jovem.
A lei que querem revogar vai no sentido contrário. Acaba com o travão de 2% nas rendas dos contratos novos, encurta de três para dois meses o prazo do despejo por falta de pagamento, deixa de limitar a caução a duas rendas, permite três meses de renda adiantada e começa a tirar do congelamento os contratos anteriores a 1990, conforme a idade e o rendimento do inquilino. Os detalhes discutem-se na especialidade. O sentido está certo.
Cada proteção que a acampada defende tem um beneficiário e uma vítima, e raramente são a mesma pessoa. Quem ganha com um despejo difícil é quem já tem contrato. Quem perde é quem procura casa. Um senhorio que sabe que pode levar meses ou anos a recuperar a casa de um inquilino que não paga arrenda menos e mais caro, e escolhe com mais cuidado. Pablo Casas-Arce e Albert Saiz compararam 102 cidades de 47 países: onde fazer cumprir um contrato de arrendamento nos tribunais custa mais, o mercado de arrendamento é mais pequeno. O limite à caução e às rendas adiantadas fecha a mesma porta por outro lado. A caução é a garantia de quem não tem outra. O jovem de 25 anos, com contrato a prazo e sem pais que possam ser fiadores, podia oferecer seis meses de caução para ganhar a casa a um candidato com fiador e emprego estável. A lei atual proíbe-o. Sem poder cobrar o risco, o senhorio escolhe pelo currículo, e o currículo do jovem é o mais curto da fila. Estas regras protegem os inquilinos que já o são contra os que querem sê-lo. A senhora de Madrid cujo despejo pôs Espanha a acampar merece proteção. Quem a deve pagar é o Estado, com os impostos de todos. Atirar a conta ao senhorio é despejar a próxima.
Até dentro da acampada há quem o perceba. Uma das pessoas que montou a tenda no Rossio contou ao Lisboa Para Pessoas que discorda de muitas destas soluções e não quer o mercado de arrendamento congelado.
Travar a compra por fundos é afugentar o dinheiro que constrói. Em boa parte da Europa, os prédios feitos de raiz para arrendar são pagos por fundos de pensões e seguradoras. Proibi-los não cria uma casa; afasta quem a podia construir. O especulador de que a acampada fala existe, mas é outro. É quem guarda um terreno vazio ou um prédio em ruínas à espera de que a escassez lhe faça o trabalho.
Há duas reivindicações com razão. A habitação pública é cerca de 2% do parque, das percentagens mais baixas da OCDE, segundo o Banco de Portugal. E os devolutos são uma vergonha. Mas um dos maiores proprietários do país, com muitos imóveis por usar, é precisamente quem a acampada quer pôr a construir: o Estado, cujo inventário o Tribunal de Contas considerou em 2021 incompleto e desatualizado. Quem não sabe o que tem dificilmente constrói depressa o que não tem.
O resto do caderno é folclore com custos. Tabelar o preço do pão e do gasóleo é a receita mais velha e mais falhada da economia, de Diocleciano a Caracas, e dá sempre filas e prateleiras vazias. Um imposto extra sobre os lucros dos bancos acaba pago, em parte, em crédito mais caro, também no da primeira casa. E as propinas. O Governo propõe atualizar pela inflação uma propina máxima de 697 euros por ano, congelada desde 2020. A acampada quer que o pedreiro que não foi à universidade continue a pagar, com os seus impostos, o curso de quem vai ganhar, em média, mais do que ele.
Os jovens têm razões de sobra para protestar, e tenho-o escrito muitas vezes. Há em Portugal tantos menores de 25 anos como maiores de 65, e o Estado gasta várias vezes mais com os segundos; os velhos, que votam mais, expropriam os novos. Cada residente, bebés incluídos, deve 25 mil euros de dívida pública e vai pagar 720 euros de juros em 2027. O PISA de 2025 deu a Portugal a pior nota de sempre em Leitura. Cada aumento acima do salário mínimo é tributado como se fosse um luxo. E 30% dos nascidos em Portugal com 15 a 39 anos vivem lá fora, cerca de 850 mil. Nenhuma destas razões está no cartaz do Rossio.
Daí o título. A expressão "idiotas úteis" atribui-se a Lenine sem prova de que a tenha escrito, mas descreve bem o que se passa no Rossio. Os jovens montam as tendas; outros recolhem os dividendos. A CGTP marchou a 17 pela habitação e pelos salários e acabou no Rossio, onde as tendas apareceram nessa tarde. Francisco Louçã e José Manuel Pureza, coordenador do Bloco, foram à praça. Rui Tavares também, e o Livre pediu um debate de urgência no Parlamento. O PS exige ao primeiro-ministro que deixe cair a lei das rendas, a que José Luís Carneiro chamou "desumana e injusta". Do outro lado, André Ventura usa-os ao contrário: partilhou o vídeo de uma marcha de apoio a Lula, no Brasil, para os pintar como gangues estrangeiros. Cada um tira da praça o que lhe serve. Nenhum lhes dá uma casa.
O PS é o caso mais desembaraçado. Governou de novembro de 2015 a abril de 2024, primeiro com a geringonça, depois sozinho. A construção tinha morrido antes, com a crise e a troika: em 2015 concluíram-se 7.148 casas novas. Os governos de António Costa tiveram oito anos para a ressuscitar. Nos quatro anos da geringonça, de 2016 a 2019, concluíram-se menos de dez mil casas por ano. Em oito anos completos de governo socialista foram 120 mil, menos do que só em 2002. Em 2018, a secretária de Estado da Habitação anunciou 170 mil casas com apoio público, para subir de 2% para 5% do parque em oito a dez anos. O 1.º Direito, lançado nesse ano, entregou quase 17 mil casas até janeiro de 2026, quase todas compradas ou reabilitadas; construídas de raiz, 1.568. O Banco de Portugal ainda conta 2% de habitação social. Pelo caminho, os mesmos governos limitaram a caução, travaram as rendas novas e inventaram o arrendamento forçado de casas devolutas. Oito anos deram isto. Agora o PS tem pressa.
Quem ganha, no fim, com o caderno da acampada? O dono de casa antiga, que vê o património valorizar com cada prédio que não se constrói. O inquilino de 1985, protegido por uma renda congelada que o senhorio paga por ele. O autarca que não licencia e culpa os fundos. Os governos que preferem um teto, que não custa nada ao Orçamento, a uma reforma do licenciamento, que custa votos. Os jovens do Rossio acampam pelos instalados, contra os jovens que vêm depois deles.
Enganaram-se na praça. A menos de um quilómetro do Rossio fica a Praça do Município, onde se decide quantas casas Lisboa deixa construir. Um pouco mais longe fica São Bento, onde se votam as pensões, os impostos e a dívida que lhes vão cair em cima. Montem lá as tendas. E levem uma reivindicação só, que cabe num cartaz: deixem construir.































