Uma notícia pode nascer em um jornal, aparecer no Google, virar reel no Instagram, ser comentada no TikTok e circular no WhatsApp. Nesse caminho, as redes sociais e outras plataformas têm enorme poder sobre quem vai encontrar aquela informação.
No Brasil, 81% dos usuários de internet usam redes sociais e 92% utilizam serviços de mensagens instantâneas. Uma parcela enorme da nossa vida informacional acontece dentro de ambientes controlados por empresas privadas.
Programas policialescos ajudaram a projetar apresentadores na política. Agora, uma nova geração leva essa fórmula para as redes sociais, combinando segurança pública, milhões de seguidores e estratégias de projeção eleitoral.
Em setembro de 2026, a Meta aparecia como o maior fornecedor individual das campanhas eleitorais brasileiras, com R$ 46,5 milhões recebidos até então, cerca de 5% do aproximadamente R$ 1 bilhão declarado ao TSE pelos candidatos.
Da TV às redes sociais, o discurso policialesco se adapta às novas plataformas. A violência vira conteúdo, o engajamento gera visibilidade e a audiência acumulada pode se transformar em capital político.
Gênero, raça e orientação sexual importam quando discutimos representação política. Os dados das eleições de 2026 mostram diferenças entre a composição da população brasileira e quem consegue chegar às candidaturas e aos espaços institucionais.
O policialesco saiu da TV e chegou com força às redes sociais. Vídeos de operações, comentários sobre crimes e discursos de punição ajudam a construir audiência, engajamento e capital político. Em 2026, essa fórmula também está nas urnas.
A violência política pode ter consequências que vão além de uma candidatura. Ameaças e ataques podem afastar novas pessoas da disputa e funcionar como uma barreira informal à participação de mulheres, pessoas negras e LGBT+ nos espaços de poder.
Operações policiais, armas, abordagens e confrontos aparecem nas redes de candidatos ligados às forças de segurança como elementos para construir autoridade e proximidade com o público. A farda também virou parte da estratégia digital.
A desigualdade começa antes das urnas. Dados do Ipea mostram que ser mulher acrescenta, em média, cerca de 10 horas semanais de trabalho doméstico e de cuidado não remunerado em comparação aos homens.
O policialesco mudou de plataforma, mas velhos problemas continuam. Exposição indevida de crianças e adolescentes, desrespeito à presunção de inocência e incitação à violência estão entre as práticas denunciadas nesse tipo de conteúdo. Markdown colado
Para mulheres negras, as barreiras se acumulam. Além da sub-representação, elas enfrentam maior carga de trabalho doméstico e de cuidado e relatos de violência política de gênero e raça
Da farda ao feed e do feed às urnas. Profissionais da segurança transformam a identidade policial ou militar em marca política, usando operações, comentários sobre crimes e propostas de endurecimento da segurança em seus conteúdos
Violência também pode gerar dinheiro nas plataformas. Candidatos com grandes audiências publicam vídeos sobre operações e abordagens policiais que, além de gerar visibilidade política, podem ser monetizados no YouTube.
As mulheres são metade da população, mas aparecem em apenas 26% das notícias analisadas pelo Global Media Monitoring Project. A presença é ainda menor em áreas consideradas hard news, como política e economia.
Quem controla a visibilidade nas redes? As big techs não precisam produzir notícias para exercer poder sobre o debate público. Seus algoritmos ajudam a decidir o que aparece, para quem aparece e com que intensidade.
A desigualdade política também passa pela mídia. Pesquisa do Global Media Monitoring Project mostrou que apenas 20% das fontes identificadas como políticas ou parlamentares nas notícias analisadas no Brasil eram mulheres.




