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Proud Zionist father and husband above all🇧🇷🇮🇱 and a fool who never forgave himself

Planet Earth, Milky Way Galaxy
Joined June 2016
Quando alguem disser que Israel é um pais que existe o apartheid, lembre-se desta imagem das eleicoes israelenses
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Que video fantástico! Soldados da IDF cantam o hino nacional de Israel enquanto terroristas desgraçados estao presos e forçados a ouvir
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Qual foi a última vez na história em que a Europa precisou de soldados armados para defender suas igrejas de serem totalmente destruídas pelo fogo? Ainda devemos acreditar que vivemos em um tempo de paz? Ou será, na verdade, um tempo de invasão?
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Fantástico porque é verdadeiro. Lembre, o ser humano só diz que é importante aprender com os erros do passado, mas a verdade é que nunca aprende. Só ha uma certeza, iremos continuar repetindo os erros do passado.
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Destruição, violência injustificável, quebradeira, caos e por ultimo morte. A bandeira da palestina sempre esta associada somente a isto. Nós avisamos!
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Voce quer entender parte do lixo que assola a Europa hoje? Comece a entender seus líderes.
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O embaixador egípcio falou o que a maioria prefere esconder. Atef Salem, que já representou o Egito em Israel, disse em alto e bom som o que gerações de diplomatas árabes só sussurram nas salas fechadas: a frustração profunda não nasce de fronteiras, muros ou assentamentos, ela nasce da simples existência de judeus vivos ao lado deles. Sem disputa territorial, sem “ocupação”, o ódio persiste. A presença de judeus soberanos é intolerável. A paz é impossível porque o sangue de judeus vivos é exigido. Isso é mais do que uma análise, é uma completa confissão. É intoleravel para grande parte do Islã conviver no coração do Oriente Medio com um povo que a cada minuto evidencia a diferença entre uma cultura bem sucedida e uma totalitaria e perdedora. Desde 1947, quando os árabes rejeitaram a partilha da ONU e escolheram a guerra de aniquilação, o padrão se repete. Em 1948, 1967, 1973, nas cartas do Hamas e do Hezbollah, nos livros escolares do Egito que ainda ensinam o ódio, nas mesquitas que repetem o hadith da pedra que denuncia o judeu para ser morto. Quase um milhão de judeus foram expulsos dos países árabes. Israel absorveu os seus. Os árabes mantiveram os “refugiados” como arma política permanente. O tratado de paz com o Egito existe no papel desde 1979. Na rua, nas escolas, na mídia e nos discursos oficiosos, o judeu continua o inimigo eterno. O Estado judeu é “artificial”, “plantado”, “problema”, "insolente". Nunca será aceito. Essa é a tese do embaixador, e ela explica mais do que qualquer resolução da ONU. A resposta é simples: judeus não vão desaparecer para acomodar o ódio, não vão voltar ao status de cidadaos de 2 classe. A existência de Israel é a resposta mais contundente a séculos de perseguição. A prosperidade, a ciência, a capacidade de se defender e de absorver os seus próprios refugiados ofendem quem construiu identidade em torno da destruição dos outros. A paz exige o reconhecimento do direito do outro de existir. Quando o objetivo é o sangue pela mera presença, não há negociação possível, o que há é apenas a escolha entre aceitar a realidade ou continuar perdendo guerras. O embaixador fez um favor ao mundo, sabemos que a verdade no Islã é rara, aqui ele mostrou o verdadeiro obstáculo, todo o resto é teatro recheado de ignorância. Nao se esqueça disto, pois esta é a verdade fundamental e primitiva do problema.
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Atentado contra uma igreja cristã na Jordania. Cenas difíceis. Até quando vamos tolerar?
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O Silencio que mata O problema do islã não é só a minoria radical Todo atentado faz dois barulhos. O da explosão e o do silêncio que vem depois. A fórmula Depois da explosão, vem o ritual. O político fala em ato isolado. O líder comunitário diz que aquilo não representa o islã. O jornalista lembra que os radicais são uma fração ínfima de quase dois bilhões de fiéis. Na aritmética, todos têm razão. No diagnóstico, todos erram. A pergunta decisiva nunca foi quantos matam. Foi quantos tornam possível matar. Que fique claro o alvo desta tese. Não é o muçulmano que cria os filhos, paga as contas e reza em paz. A imensa maioria deles nunca machucou ninguém. A acusação é outra, mais precisa e mais dura: a de que essa maioria, por medo, por conforto ou por convicção, deixa o campo livre para a minoria que fala em seu nome. E, em muitos casos, não apenas deixa o campo livre: considera legítimo que a lei de Deus substitua a lei do Estado. A aritmética do consolo Ninguém sabe ao certo quantos são, e quem jura saber está vendendo alguma coisa. Um dos números mais cautelosos vem dos serviços de inteligência da Europa Ocidental estimavam por volta de 20% dos muçulmanos do planeta correm o risco de se radicalizar ou possuem visão radical. Aceite-se o número. Ele consola. Agora a conta, que o consolo nunca faz. O mundo tem cerca de dois bilhões de muçulmanos, vinte por cento são quatrocentos milhões de pessoas, quase dois Brasis inteiros. Não é uma estimativa. É uma régua, e quem consola escolhe o ponto dela em que prefere acreditar. Feita a conta, o consolo vira inventário. Reconheça-se o que é verdade. Entre dois bilhões, pouquíssimos lançariam um carro contra uma multidão ou entrariam numa escola com um explosivo. Quem diz que o terrorista é raro tem razão. O terrorista sempre foi raro, em qualquer ideologia. Ele é a ponta de uma pirâmide. Logo abaixo estão os que o aplaudem. Mais abaixo, os que o justificam com um “mas”. E na base, a imensa planície dos que não o aprovam, não o denunciam e preferem não ser incomodados. Em 2013, a Pew perguntou a muçulmanos de onze países e territórios se a violência contra civis pode ser justificada para defender o islã de seus inimigos. Nos territórios palestinos, 62% responderam que é justificável às vezes ou com frequência, No Líbano, 33%, na Malásia e no Egito, um em cada quatro. Um quarto de uma sociedade não é uma franja. É um bairro. O problema nunca foi a fração que aplaude. É a fração enorme que assiste. O peixe e a água Mao Tsé-Tung ensinou que o guerrilheiro precisa do povo como o peixe precisa da água. É a lei de toda insurgência. Sem esconderijo, sem dinheiro, sem recrutas e sem licença moral, a minoria armada seca. A máfia siciliana nunca passou de alguns milhares de homens. O que a sustentou por mais de um século foi a omertà, o silêncio educado de milhões que viam, sabiam e desviavam o olhar. Ela começou a perder quando o silêncio acabou. Em 1992, depois do assassinato do juiz Giovanni Falcone, Palermo pendurou lençóis brancos nas sacadas. Em 1997, quando a ETA sequestrou e matou o jovem vereador Miguel Ángel Blanco, milhões de espanhóis tomaram as ruas, e a organização começou a perder a cobertura moral que ainda tinha. Nenhum terrorismo vive do tamanho do seu exército. Vive do preço social que lhe é cobrado. Onde matar em nome de Deus custa a reputação, a família e o lugar na comunidade, o radical murcha. Onde custa pouco, ele prospera. A maioria não empunha a arma. Empresta o ar. O que a maioria responde quando perguntada Em levantamento publicado em 2013, o Pew Research Center ouviu mais de 38 mil muçulmanos em 39 países. Os números não descrevem um bando de fanáticos. Descrevem algo mais difícil de enfrentar: o senso comum. Perguntados se a sharia deveria ser a lei oficial do país, 99% responderam que sim no Afeganistão. No Iraque, 91%. Nos territórios palestinos, 89%. No Paquistão, 84%. No Egito, 74%. E entre os que queriam a sharia como lei, a pena de morte para quem abandona o islã tinha o apoio de 86% no Egito, 82% na Jordânia, 79% no Afeganistão e 76% no Paquistão. Releia. Esses não são números do Estado Islâmico. São números do centro da sociedade naqueles países. Há aqui uma lição de vocabulário. O que o Ocidente chama de radical, ali se chama de normal. No Ocidente, quem defende a execução de um homem por trocar de religião é tratado como extremista. No Egito, é a opinião de mais de oito em cada dez dos que querem a sharia como lei. Quando a régua é outra, não adianta perguntar quantos são os radicais. É preciso perguntar quem define o radical. A radicalização e extremismo violento são coisas diferentes. Um radical pode militar pela sharia a vida inteira sem tocar numa arma. É nessa zona, onde não há arma e há lei, que este texto procura o problema. Seria desonesto omitir o outro lado da mesma pesquisa: a maioria dos muçulmanos rejeita o homem-bomba e os ataques contra civis. É verdade, e importa. Mas rejeitar o método não é rejeitar a premissa. Quem degola um professor por causa de uma caricatura não inventou a ideia de que o blasfemo merece morrer. Herdou. Apenas executa, com as próprias mãos, o que muitos à sua volta consideram justo em teoria. Aqui está a tese que o Ocidente recusa a enxergar: a maioria muçulmana em vários dos maiores países islâmicos não é uma plateia passiva diante de uma minoria fanática. Ela é o público que assiste a um espetáculo que aprova. Quando oito em cada dez egípcios que querem a sharia acham justo matar quem abandona a fé, o problema não é o radical que executa. É a sociedade que considera a execução uma opinião legítima. O silêncio não é só omissão. É concordância sem assinatura. E essa concordância não ficou presa às fronteiras do mundo muçulmano. Ela atravessou o mar. A mesma régua, do outro lado Na Grã-Bretanha, a pesquisa ICM para o Channel 4, de 2016, ouviu mais de mil muçulmanos britânicos em áreas onde são ao menos um quinto da população. Achou 88% dizendo que a Grã-Bretanha é um bom lugar para os muçulmanos. Achou também 23% a favor de trocar a lei britânica pela sharia em algumas regiões do país, 52% achando que a homossexualidade deveria ser ilegal, 39% concordando que esposas devem sempre obedecer aos maridos, e 78% dizendo que não há direito de publicar imagens de Maomé. Só 34% contatariam a polícia se soubessem que alguém próximo se envolvia com jihadistas. E 4% admitiram simpatia por atentados suicidas. Uma pesquisa do Policy Exchange no mesmo ano, com mais de três mil britânicos muçulmanos, achou 43% apoiando a introdução de algum aspecto da sharia no Reino Unido. Na França, o Ifop publicou em 2025 um retrato que inverteu a expectativa de que a assimilação avança com as gerações. 57% dos muçulmanos entre 15 e 24 anos disseram que a sharia deve prevalecer sobre as leis da República em áreas como abate ritual, casamento e herança. Entre os maiores de 50, a fatia cai para 38%. 38% aprovaram total ou parcialmente posições islamistas, o dobro dos 19% de 1998. Um terço se identifica com ao menos um movimento islamista, e 24% com a Irmandade Muçulmana. 22% julgaram a democracia incompatível com o islã. E 33% acharam que a sharia tem vocação para se aplicar em todo o mundo, majoritariamente por meios graduais. A pergunta não é se o muçulmano europeu ou americano é violento. É se ele considera legítimo que a sharia ocupe, mesmo que gradualmente, o lugar da lei do país onde mora. Na França de 2025, mais da metade dos jovens muçulmanos respondeu que sim. No Reino Unido de 2016, um em cada quatro. Nos Estados Unidos, a pergunta ainda não foi feita em voz alta com o mesmo rigor. O silêncio vira lei O que a pesquisa registra, a lei consagra. Segundo o Pew, no Oriente Médio e no norte da África, 18 de 20 países criminalizam a blasfêmia e 13 criminalizam a apostasia. Em alguns, a pena prevista é a morte. Uma lei que pune a dúvida é o silêncio transformado em instituição. Ela dispensa o convencimento, porque ninguém pode discordar em voz alta. O blogueiro saudita Raif Badawi foi condenado a dez anos de prisão e mil chibatadas por escrever num blog. Não foi preciso um terrorista. Bastaram o Estado e o silêncio em volta. O funeral Em janeiro de 2011, o governador do Punjab, Salmaan Taseer, foi assassinado por um de seus seguranças. O crime dele: ter chamado de lei negra a lei da blasfêmia e defendido Asia Bibi, uma cristã condenada à morte com base nela. Mais de quinhentos clérigos e estudiosos pediram que ninguém rezasse por ele nem lamentasse sua morte. Alguns imãs se recusaram a conduzir a oração fúnebre. Ao enterro, sob forte segurança, foram até seis mil pessoas. Cinco anos depois, o assassino, Mumtaz Qadri, foi enforcado. O funeral dele reuniu dezenas de milhares de pessoas, com estimativas que chegam a mais de cem mil. Políticos que costumam falar de tudo se calaram. Um ministro do governo, segundo a imprensa, o chamou de mártir. O assassino agiu sozinho. O herói foi fabricado por muitos. O teste da rua Se a maioria rejeita o extremismo, onde ela o diz? A rua é o plebiscito de quem não vota. Foi a rua que abalou a omertà em Palermo e a ETA na Espanha. Rua cheia mostra convicção. Rua vazia também. Em junho de 2017, muçulmanos alemães convocaram em Colônia uma marcha contra o terrorismo, chamada “Não conosco”. Esperavam milhares. Apareceram pouco mais de mil. A maior associação islâmica do país recusou-se a participar. Alegou que o ato sugeriria que o terrorismo é um problema sobretudo muçulmano, e que fiéis em pleno Ramadã não poderiam caminhar por horas sob o calor. Releia a primeira razão. Dizer que o terrorismo não é um problema muçulmano tranquiliza. Dizer que é um problema que os muçulmanos precisam resolver, resolve. Entre a frase que tranquiliza e a que resolve, escolheu-se a primeira. Agora olhe para outras ruas. Dezenas de milhares acompanharam o funeral do assassino de Salmaan Taseer. Em novembro de 2020, duas semanas depois da decapitação de um professor francês que mostrara uma caricatura em sala de aula, cerca de cinquenta mil pessoas, segundo a polícia, marcharam em Daca. A pauta era um boicote aos produtos franceses e um pedido de desculpas do presidente que defendera o direito de publicar a caricatura. São países, contextos e comunidades diferentes, e ninguém deve extrair dessas comparações mais do que elas contêm. Mas elas contêm isto: a multidão existe, e sabe para onde marchar. Houve exceções, e é justo registrá-las. Houve marchas, vigílias, vozes corajosas. Faltou a multidão. E uma maioria que nada decide, nada diz e nada faz deixa de ser maioria moral. Torna-se cenário. É nesse cenário que o radical encena. As maiorias pacíficas Depois de cada tragédia, alguém lembra que a maioria é pacífica. É verdade. É quase sempre verdade, de qualquer grupo, em qualquer época. Justamente por isso a frase nunca respondeu à pergunta que importa: o que essa maioria faz? Em julho de 1932, o Partido Nazista obteve 37% dos votos, seu melhor resultado antes de chegar ao poder. Em março de 1933, com Hitler já chanceler e as liberdades civis suspensas, 44%. Nunca teve a maioria. Mais da metade dos eleitores, em cada urna, votou em outra coisa. Dividida, essa maioria não o impediu. Na Rússia, nas eleições de novembro de 1917 para a Assembleia Constituinte, os bolcheviques ficaram com pouco menos de um quarto dos votos. Os socialistas-revolucionários, com cerca de 40%. A Assembleia se reuniu uma única vez, em janeiro de 1918, e foi dispersada à força. A maioria tinha os votos. A minoria tinha os fuzis. Em 11 de setembro de 2001, dezenove homens mataram quase três mil pessoas. A minoria sempre é pequena. A pergunta é se ela basta. Que ninguém leia nisso uma equivalência. O islã não é o nazismo, e o muçulmano comum não é um nazista. A analogia não é de substância. É de lógica. Ela mostra só isto: “a maioria é pacífica” descreve um temperamento, e nenhuma história se decidiu por temperamento. Decide-se por quem se organiza, por quem fala e por quem aceita pagar o preço. Pacífico não é o contrário de conivente. O pastor Martin Niemöller entendeu isso tarde. Saudara o regime nazista em 1933 e votara no partido. Quatro anos depois, o regime que saudara o prendeu. Foram oito anos de cadeia. Em 1946, numa série de palestras na Alemanha ocupada, confessou aos compatriotas a própria omissão, numa fórmula que mudava de uma palestra para outra: primeiro vieram buscar os socialistas, e ele não falou, porque não era socialista. Depois os sindicalistas, depois os judeus. Por fim vieram buscá-lo, e já não havia ninguém para falar por ele. A frase não acusa os carrascos. Acusa quem olhou. É a pergunta que a história faz a toda maioria que se diz pacífica: o que você fez enquanto era só com os outros? Quando se pergunta para a maioria dos muçulamos, a resposta é sempre a mesma. Nada. O “mas” Voltemos ao nosso tempo. Há uma palavra que atravessa todas as crises de que falamos. A palavra é “mas”. Condeno a violência, mas ele provocou. Condeno o crime, mas há limites para a liberdade de expressão. Condeno o ataque, mas e o que o Ocidente faz? Em 1989, o aiatolá Khomeini decretou a morte de Salman Rushdie por causa de um romance. Em 2022, aos 75 anos, Rushdie foi esfaqueado no palco de um evento literário no estado de Nova York. Em 2015, doze pessoas foram assassinadas na redação do Charlie Hebdo. Em 2020, um professor de história foi decapitado perto de Paris por ter mostrado caricaturas numa aula sobre liberdade de expressão. Em todos esses casos, houve alguns poucos muçulmanos que condenaram sem reservas. E em todos, muitas vezes, a condenação veio acompanhada de um “mas”. O “mas” é o dialeto da maioria silenciosa. Ele não mata. Ele absolve. O dicionário do medo Ninguém jamais sofreu de PCCfobia. Quem teme o Comando Vermelho não é tratado como paciente. É tratado como alguém que lê os jornais. Ninguém lhe sugere terapia. Ninguém o acusa de preconceito contra o crime organizado. Fobia é medo sem objeto. O claustrofóbico teme o elevador que nunca caiu. O medo que tem objeto, histórico e boletim de ocorrência tem outro nome. Chama-se prudência. Ponha ao lado a palavra “islamofobia”. Ela promete designar o ódio ao muçulmano, e esse ódio até existe, é indefensável e deve ser combatido. Mas a palavra faz outra coisa também. Abriga sob o mesmo guarda-chuva o preconceito contra a pessoa e o medo de um programa: a lei que manda matar quem muda de fé, o tribunal que pune quem duvida, a multidão que sepulta o assassino como herói. Quem mistura os dois por descuido erra. Quem os mistura de propósito sabe o que faz. Transforma toda objeção em sintoma e encerra o debate antes que ele comece. A própria palavra islã significa submissão, a entrega do fiel à vontade de Deus. Que cada um se submeta ao que quiser. O medo começa quando a submissão deixa de ser escolha e vira lei., Isto não é fobia, é pavor justificado. Dois aviões partem para o mesmo destino. Um está lotado de militantes jihadistas. O outro, de passageiros comuns, de qualquer fé. Ninguém precisa de diagnóstico para escolher. Isso não é fobia. É aritmética de sobrevivência. O mais curioso é ver quem se diz de direita repetir a palavra como quem recita a lição. Defende o Ocidente e adota o dicionário de quem o dissolve. Engoliu da esquerda sem mastigar. O custo desse dicionário não é abstrato. Em Rotherham, na Inglaterra, o relatório de 2014 contou cerca de 1.400 crianças exploradas sexualmente entre 1997 e 2013, algumas com onze anos. Funcionários admitiram hesitar em apontar a origem étnica dos agressores por medo de serem tidos como racistas, e outros lembraram de gerentes que os mandaram não tocar no assunto. Em 2025, a revisão da baronesa Louise Casey constatou que a etnia dos autores não foi registrada em cerca de dois terços dos casos analisados e que algumas instituições evitaram o tema por medo de parecerem racistas. A mesma revisão encontrou autores brancos e de outras origens. Nada disso trata da fé de ninguém. Trata do que acontece quando uma sociedade proíbe a si mesma de nomear o que vê. O politicamente correto prometeu proteger os fracos. Em Rotherham, protegeu o silêncio. O que não se pode nomear não se pode combater. Não da mais para praticar a hipocrisia do politicamente correto e declarar fobia algo que gera um pavor legitimo. O preço de falar Quem rompe o silêncio paga, e paga sozinho. Ayaan Hirsi Ali nasceu na Somália, foi deputada na Holanda e passou a vida sob escolta. Em 2004, o assassino do cineasta Theo van Gogh prendeu com uma faca ao corpo da vítima uma carta de ameaça a ela. Os que falam são poucos. Sem coro, a coragem vira martírio. As objeções Dirão que a maioria das vítimas do terrorismo jihadista é muçulmana. É verdade. Segundo o Global Terrorism Database, cerca de três quartos das mortes por terrorismo entre 2001 e 2015 ocorreram em 25 países de maioria muçulmana, e os próprios pesquisadores consideram seguro supor que a maior parte das vítimas era muçulmana. Mas isso agrava a acusação, não a alivia. Quem mais enterra filhos deveria ser quem mais grita. Dirão que o silêncio é medo. O medo é real, e os exemplos acima mostram o preço. Mas o medo explica o silêncio de um homem. Não explica o silêncio de milhões. Palermo tinha medo. A Espanha tinha medo. O que mudou foi que deixaram de ter medo sozinhas. A coragem é um bem coletivo, e quem a produz é a maioria. Dirão, enfim, que muitos muçulmanos condenaram, sim. É verdade, e negá-lo seria desonesto. Em 2014, mais de cem estudiosos assinaram uma carta aberta contra o Estado Islâmico. Em 2016, centenas de eruditos de mais de cem países se reuniram em Marrakesh e declararam inadmissível usar a religião para agredir os direitos das minorias. São gestos nobres. Mas são gestos de cúpula, de eruditos e governos vistos por muitos como pouco críveis, e ficaram longe de produzir o debate popular, de mesquita em mesquita, que seria o teste real. Dirão que, logo depois do 11 de setembro, a Gallup ouviu cerca de dez mil pessoas em nove países de maioria muçulmana, e que vastas maiorias, embora não todos, disseram que o ataque era moralmente injustificável. É verdade, e é só metade do retrato. A mesma pesquisa perguntou se grupos de árabes cometeram os ataques. Em nenhum dos nove países houve maioria que dissesse que sim. No Kuwait, no Paquistão e na Indonésia, maiorias esmagadoras negaram, e só na Turquia uma pluralidade aceitou o fato. Dez anos depois, a Pew repetiu a pergunta: em 2011, só 28% dos muçulmanos libaneses, 12% dos paquistaneses e 9% dos turcos aceitavam que árabes foram os autores, e nos demais países pesquisados menos de um em cada quatro. Condenar o ato e negar o autor cabem na mesma boca. Quem nega o autor nunca precisa enfrentar a ideia. A pergunta é o que a maioria faz com a ideia que o produziu. Dirão que existem muçulmanos maravilhosos, como o médico que dá os pontos e fala de futebol o tempo todo. Existem, são muitos, e nada neste texto os acusa. Mas o amigo prova que há gente boa. Não prova que o ambiente seja bom. A pergunta não é como ele vive. É o que o lugar de onde ele vem tolera, e o que acontece ali a quem pensa diferente. Dirão que na Europa é diferente, e em parte é. Uma pesquisa da ICM para o Channel 4, feita em 2015 com mais de mil muçulmanos britânicos em áreas onde são ao menos um quinto da população, achou 88% dizendo que a Grã-Bretanha é um bom lugar para os muçulmanos. Achou também 23% a favor de trocar a lei britânica pela sharia em algumas regiões do país, e 4% simpáticos a quem comete atentados suicidas. Os dois resultados são verdadeiros. Quem cita só o primeiro tranquiliza. Quem cita só o segundo assusta. Falta a terceira medida: o que a maioria faz com o segundo. A autoridade que não existe A violência religiosa raramente acabou por pressão de fora. A Europa cristã começou a apagar as fogueiras quando cristãos disseram a outros cristãos que queimar um homem em nome de Deus era uma ofensa a Deus. Foi trabalho de séculos, feito por gente que pagou caro e foi chamada de herege. O islã sunita, que reúne a imensa maioria dos fiéis, não tem papa nem concílio. Ninguém pode excomungar o jihadista por decreto. A autoridade nasce de baixo, da soma das vozes. Por isso o silêncio da base não é um detalhe. É o vazio onde a reforma deveria estar. Há rachaduras. Entre 2013 e 2019, segundo o Arab Barometer e a BBC Árabe, a parcela de tunisianos que se declaram sem religião foi de 16% para 31%, chegando a 46% entre os jovens de 18 a 29 anos. No Iraque, a confiança nos líderes religiosos caiu de 42% para 12%. Mas rachadura não é reforma. Reforma tem nome, rosto e custo. Em 2014, num painel em Washington, uma estudante muçulmana de direito fez a pergunta certa: como se vence com armas uma guerra de ideias? Não se vence. Só uma ideia derrota outra, e só a ideia dita por quem tem autoridade para dizê-la, dentro da própria casa, é escutada. De fora, toda refutação soa como ataque. Uma das painelistas respondeu com uma lista de tragédias do século XX e terminou com uma pergunta: onde estão os outros que falam? Feita a quem se levantou, a pergunta é injusta. Feita a quem não se levanta, é a que importa. A conta Se o problema fosse só a minoria, teria remédio conhecido: polícia, inteligência, tribunais. Minorias armadas se vencem assim. Maiorias coniventes, não. Só se vencem quando mudam de ideia, e ninguém muda de ideia por decreto, muito menos por decreto alheio. Mas a pergunta honesta é outra: por que essa maioria não muda? Por que o silêncio dura século após século, país após país, geração após geração? Porque não é silêncio. É ensino. O que a maioria aceita não é um desvio do texto. É o texto. A submissão que o nome islã anuncia não é metáfora: é programa. A lei que manda matar quem abandona a fé, a espada que abre o caminho da conversão, a hierarquia que coloca o crente acima do infiel, tudo isso está no livro que se recita em voz alta, todos os dias, em milhões de mesquitas. Não é heresia. É exegese. O radical não leu errado. Leu direito. E é por isso que a reforma nunca veio. Não porque faltou tempo. Faltou interesse. Quem controla a interpretação controla a comunidade, e quem controla a comunidade não tem motivo para reformar o que o sustenta. A mesquita que ensina moderação é a mesquita que perde fiéis para a que ensina certeza. O mercado de almas premia o radical, não o prudente. Na Europa, isso já não é projeção. É geografia. Na França, o relatório governamental de 2025 mapeou 139 locais de culto ligados à rede dos Irmãos Muçulmanos e mais 68 próximos, em 55 departamentos. Na Bélgica, Molenbeek virou sinônimo de santuário antes de virar manchete. No norte da Itália, bairros inteiros funcionam sob normas que o Estado não escreveu. Não é invasão. É instalação. Ninguém tomou a Europa de assalto. A Europa abriu a porta, olhou para o outro lado e chamou de convivência. E aqui está a parte que dói mais: a conivência da maioria não é fraqueza. É fidelidade. O muçulmano que não denuncia o radical não é covarde. É coerente. Ele está fazendo exatamente o que o texto pede. Honrar o silêncio. Respeitar a autoridade. Não criar divisão. A maioria não falha a tese. A cumpre. Por isso a conta não fecha com polícia. Fecha com uma pergunta que nenhuma inteligência artificial, nenhum relatório, nenhum tratado responde: uma civilização pode sobreviver a uma fé que ensina, com a autoridade de mil e quatrocentos anos, que a submissão total é a salvação e que duvidar é crime? A Europa está descobrindo a resposta nas ruas de Paris, nas escolas de Bruxelas, nos pátios de Milão. Não nas explosões. Nas mesquitas. No silêncio. Na lei que já não é lei porque parou de ser defendida. A minoria radical fala alto porque a maioria fala baixo. E a maioria fala baixo porque o livro ensinou. O problema nunca foi o grito. Foi o texto que o autorizou.
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O Grão de Poeira que Aprendeu a Chorar Nenhum átomo do seu corpo está vivo. Nenhum. Nem um só dos sete octilhões de átomos que formam você neste instante. São mudos, cegos, indiferentes. O carbono dos seus neurônios é idêntico ao carbono da ponta de um lápis. E, no entanto, juntos, eles estão lendo esta frase. Volte no tempo. O carbono, o oxigênio e o nitrogênio do seu corpo foram forjados no coração de estrelas que morreram antes de o Sol existir. O ferro do seu sangue saiu de uma estrela que explodiu. E o hidrogênio da sua água nasceu nos primeiros instantes do universo: tem 13,8 bilhões de anos. Você é uma antiguidade com algumas décadas de uso. Durante bilhões de anos, essa matéria foi gás, poeira, rocha e fogo. O espetáculo rodava sem plateia. Estrelas nasciam e morriam. Uma supernova chegava a rivalizar em brilho com uma galáxia inteira, e não havia ninguém para ver. Nada, dentro dessa matéria, sabia que existia. Ninguém aplaudia, ninguém achava lindo. Então, num pequeno planeta de rocha, a matéria se arranjou de um jeito novo. A primeira coisa que fez, ao acordar, foi perguntar de onde veio. A segunda, se apaixonar. A terceira, ter medo de voltar ao que sempre foi. Pela primeira vez, que se saiba, o universo olhou para si mesmo. Uma luz que partiu de Andrômeda há 2,5 milhões de anos terminou a viagem dentro de um olho humano e virou espanto. E a matéria, que nunca teve nome, inventou um para si mesma: eu, você. Depois deu nome às estrelas, aos rios, aos filhos. Mas nenhum desses nomes está escrito em átomo algum. Não existe "eu" no hidrogênio, nem no carbono, nem nas equações da física. O que existe é um redemoinho no rio da matéria: a água passa, a forma fica. Em poucos anos, a maior parte dos seus átomos já terá sido trocada por outros, e você continuará sendo você. Você não é uma coisa, é um acontecimento, o mais extraordinário de que se tem notícia. Esse acontecimento ama, reza, escreve poemas e mede a idade das galáxias. Descobriu que parte do chuvisco da velha TV, entre um canal e outro, era a luz mais antiga do universo. Sentiu o espaço tremer quando dois buracos negros se chocaram a 1,3 bilhão de anos-luz. Leu o próprio código, escrito em quatro letras. Pisou na Lua. E fez uma pergunta que nenhuma estrela jamais fez: por que existe algo, e não nada? Quanto tempo isso dura? Imagine uma estrada de mil quilômetros, de São Paulo a Brasília. Cada quilômetro vale dez bilhões de anos. A estrada inteira vai do Big Bang até o tempo em que só restarão as anãs vermelhas, as estrelas mais pacientes do cosmos. Hoje estamos no quilômetro 1,4. O universo mal saiu da garagem. E a sua vida inteira, nessa estrada, ocupa um centésimo de milímetro. Um grão de poeira no acostamento. Foi dentro dele que a matéria aprendeu a chorar. Depois do grão, o resto da estrada. Quase mil quilômetros. Trilhões de anos. A estrela que acendeu a vida será a que vai apagá-la. Primeiro, mais quente, ferverá os oceanos e varrerá o que restar de vida. Depois inchará até ficar centenas de vezes maior, e o céu inteiro será um incêndio vermelho. A Terra será engolida ou calcinada. Então o Sol vai expirar: soprará as próprias camadas para o espaço, numa nebulosa de cores que brilhará por uns dez mil anos, o mesmo tempo que separa o primeiro trigo plantado do dia de hoje. No centro restará uma brasa de carbono e oxigênio, do tamanho da Terra, que vai cristalizar como um diamante e esfriar por trilhões de anos. E o que fomos se espalha por esse caminho. Um pouco volta a ser nuvem, um pouco volta a ser estrela, um pouco, quem sabe, acaba dentro do diamante. Um pouco esfria num canto escuro do espaço, sem nome, sem memória, sem pressa. Por aqui, o espetáculo volta a rodar sem plateia. A matéria não morre. O que acaba é o arranjo. Está escrito há milênios: és pó, e ao pó voltarás. A frase sempre soou como sentença. Era só metade do relato. Entre o pó e o pó, o pó acordou, olhou para o céu e perguntou por quê. Um mês antes de morrer, Einstein escreveu à família de Michele Besso, o amigo de uma vida inteira, que acabara de partir. Consolou-os com física: a separação entre passado, presente e futuro é só uma ilusão, ainda que teimosa. Na leitura mais direta da relatividade, o que aconteceu não desaparece. Continua lá, fixo, tão real quanto este instante. O seu também. Nenhum trilhão de anos desfaz o que aconteceu: houve um instante em que o universo teve olhos, voz e nome. O escuro que vem depois não será o escuro que veio antes. O de antes era o de um universo que ninguém conhecia. O de depois será o de um universo que já foi visto, nomeado e amado. Pense na última vez que você segurou a mão de alguém que ama. Hidrogênio do Big Bang, carbono de estrelas mortas, ferro de explosões: tudo o que o universo levou 13,8 bilhões de anos forjando desembocou num gesto sem utilidade alguma. Se a história do cosmos tem um ápice, talvez não seja a explosão, nem a estrela, nem a galáxia. Talvez seja uma mão apertando outra, sem motivo nenhum além do carinho. Nenhum átomo seu sabe que está vivo. E, no entanto, juntos, eles seguram uma mão e não querem soltar.
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